Ótimo artigo que encontrei no Blog da Vagas, que descreve muito bem os problemas enfrentados por diversos profissionais na procura de um emprego. A tal da Experiência! É bom refletir sobre as prioridades quando da contratação de um profissional.
Boa Leitura!
O MITO DA EXPERIÊNCIA por Thabata Romanowski
Quando um funcionário entra em uma nova empresa, ele é treinado. Normalmente o treinamento compreende desde uma ambientação, até o conhecimento de comandos do sistema, do funcionamento dos processos daquela empresa, dos valores, dos métodos de trabalho e da cultura do lugar onde ele vai trabalhar. Cada empresa é um universo diferente. Cada uma possui seu próprio jeito de executar as tarefas. Entretanto, a maioria delas ainda exige grandes períodos de “experiência” na função, em outras empresas, como diferencial na hora da decisão de contratação.
Por que isso acontece? Segundo a maioria das consultorias de RH, a experiência é essencial, pois a vivência de um candidato na função pode determinar a sua contratação ou não. Na verdade, não encontrei explicações muito convincentes do motivo pelo qual a experiência é assim tão decisiva.
Ao longo da história do mercado de trabalho no país, a idéia de experiência foi deturpada, tornando-se um critério vazio. Nas décadas de 60 e 70, quando a indústria do país era pouco especializada e as funções muito mais mecânicas, era comum solicitar-se experiência, pois não havia qualificação teórica, cursos ou treinamentos para o exercício de funções mais operacionais. Entretanto, com o avançar dos tempos, as empresas diferenciaram-se e implementaram, cada uma a seu modo, sistemas e processos próprios. Esse avanço, aliado ao acesso mais facilitado aos meios de educação profissional e treinamento, tornou a exigência da experiência uma atitude ultrapassada. Entretanto, não sei se por comodidade, tradição ou falta de reflexão acerca do tema, a tal experiência continua a ser um critério decisivo no preenchimento de uma vaga.
Atualmente, a parcela da população economicamente ativa que mais sofre com essa exigência são os jovens. Pessoas recém-formadas, muitas vezes com grande qualidade de formação, conhecimento diferenciado e prontos para contribuírem para o mercado de trabalho. É comum que um universitário esbarre no empecilho da experiência para conseguir seu primeiro emprego ou estágio. Mesmo que, em termos de competências e de conhecimento técnico e teórico, ele seja perfeito para as posições disponíveis.
A experiência tornou-se uma barreira a mais para que uma pessoa consiga uma colocação no mercado. Já vi anúncios de estágio que pediam experiência. Isso é um erro. Se uma pessoa não possui experiência, ela não consegue um bom emprego, e sem um bom emprego, ela jamais conseguirá experiência. No caso de pessoas que desejam mudar de área isso é ainda mais drástico, pois os recrutadores insistem em perguntar por que a pessoa quer trabalhar com algo em que não tem nenhuma experiência.
Quando vemos no noticiário que não existem profissionais qualificados no mercado e por isso sobram vagas, devemos atentar ao fato de que, grande parte dessa suposta “ausência de qualificação” baseia-se no tempo de experiência dos candidatos. A exigência por longos períodos de prática em determinada função acaba gerando um sério empecilho na geração de empregos, e por um motivo vazio.
Para tentar corrigir isso, foi criada a Lei 11.664 de 2008 na CLT. Essa Lei proíbe a exigência de mais de 6 meses de experiência em anúncios de emprego e como critério de seleção. Entretanto, ela é veementemente ignorada pela grande maioria das empresas de recrutamento. O propósito da Lei é justamente o de promover a geração de empregos, que muitas vezes permanecem ociosos por causa de um critério de utilidade duvidosa.
É necessário que os responsáveis pelo Recrutamento e Seleção reflitam sobre uma profunda reforma dos critérios utilizados para busca de candidatos. A seleção por competências, por conhecimento, analisando capacidades e potencialidades é muito mais eficaz do que a exigência de um período de experiência, que pouco será aproveitado caso o candidato seja selecionado. Os métodos são arcaicos, e as necessidades do mercado cada vez mais dinâmicas, esse é o grande motivo pelo qual ouvimos mitos como o da falta de qualificação.
A mera reprodução de hábitos ultrapassados, sem que exista uma reflexão sobre se ainda são mesmo úteis para um determinado processo é o principal empecilho à satisfação das novas necessidades criadas pelo avanço das técnicas de trabalho. Não há mais tempo nem espaço para que mitos continuem sendo utilizados como critério decisivo de seleção.
*Imagem extraída do Google Imagens
link: http://pensandoemcaixaalta.blogspot.com/2010/05/o-mito-da-experiencia.html
